A gente não precisa ser forte o tempo todo!

Atualizado: Mai 14

Na minha última publicação aqui, escrevi e relatei um pouco do ritual fotográfico realizado com a Maria Clara, uma cliente muito linda e maravilhosa que me ajudou a atravessar um momento difícil no dia da nossa sessão fotográfica em que minhas pernas bambearam e quase fiquei sem ar. Hoje resolvi me vulnerabilizar um pouquinho mais para contar mais sobre isso como num ato de coragem por mim e por outros fotógrafos que não descansam da idealização de serem p e r f e i t o s e fortes o tempo todo!

Tomei conta dessa minha idealização esses dias na minha análise e foi um alívio respirar sem um certo peso do perfeccionismo, mesmo que ele apareça e compareça na minha vida de tempos em tempos. Na verdade, periodicamente eu me auto saboto, entro nessa idealização e preciso de uma ajudinha extra para reparar novamente que entrei nesse ritmo da impecabilidade.

Sinto que nós mulheres estamos o tempo todo vivendo isso de certa forma, AINDA vemos corpos perfeitos nas propagandas, AINDA nos comparam com homens-máquinas, AINDA sentimos na pele a desigualdade salarial com os homens.... Bom, tenho uma lista imensa para citar mas como não é o objetivo dessa publicação (risos&choros), espero já ter corroborado um pouco para a reflexão sobre como essa auto cobrança é causada.


Agora imagina comigo: Mulher, fotógrafa e quase o mapa todo em virgem (kkkkkk), querendo ou não, dentre muitas Amandas que me habitam, existe aqui dentro uma general(zinha) exigindo excelência, detalhe, capricho em tudo que realizo e principalmente no meu servir, no meu trabalho. Olha, não que eu ache isso ruim, pelo contrário, mas precisamos do equilíbrio e não do excesso.


Enfim, voltando ao tema central, quando estávamos na última parte da sessão fotográfica com a Maria, percebi que tinha sido f u r t a d a . Isso mesmo, alguém tinha levado embora a minha mochila. A perna tremeu, coração acelerou, olhei em volta e ninguém ali além de nós duas e a mochila estava a 2 metros da gente! Olhei pra mim e estava com todo equipamento fotográfico comigo - baterias extras, cartões extras, celular, as câmeras que uso cada uma num ombro - (ufa! bateu um alívio), mas putzzz, levaram minha carteira e documentos. Isso nunca tinha me acometido antes, fiquei meio sem norte na hora e sem clima NENHUM para finalizar as fotos que faltavam (alguém teria clima depois disso?). A compreensão, o acolhimento e o amor da Maria foram essenciais para o atravessamento dessa situação que nos aconteceu. Fomos embora chateadas, mas de certa forma aliviadas por não ter sido um grande estrago - as coisas dela ficaram intactas, graças a deusa. Prometi à ela que faríamos um novo ensaio em breve para compensar tudo aquilo.


Quando cheguei em casa, desmoronei, chorei muito. Estava realmente chateada por toda circunstância, queria que tudo tivesse saído perfeitamente como sempre imagino, medito e vibro para cada ritual fotográfico. Fiquei com medo do que ela poderia achar do meu profissionalismo, fiquei com medo de muitas coisas. Acolhi todos os sentimentos e fui soltando, desembaraçando um por um até que me restassem apenas aprendizados sobre toda essa situação incontrolável. Compreendi então que eu não precisava ser forte o tempo todo e que era importante eu me vulnerabilizar, compartilhar com ela meus sentimentos e oferecer novos serviços que a agradassem. Entendi que não tinha o dever de me colocar durona, eu precisava sentir, precisava abrir para a fluidez da vida e sentir na pele e na alma que estava tudo bem, pessoalmente e principalmente PROFISSIONALMENTE. A minha cliente me entendeu, compreendeu a situação e não ia me abandonar. A minha fotografia e o modo como eu trato minhas clientes não iria mudar por conta disso, pelo contrário, foi muito melhor, expansivo e ainda mais precavido. Ganhei mais forças quando pude deixar a resistência pela perfeição e encontrar a minha humanidade, mais uma vez, mais uma vez, mais uma vez. Pude re-construir, mudar padrões, percepções e também CRESCER. Atravessei, cai, levantei e aprendi.


Definitivamente, a gente não precisa e mais do que isso, é dispensável ser forte o tempo todo. É cansativo se colocar na linha de frente o tempo todo. É importante cair, errar, perceber o erro e continuar para melhorar. Chorar alivia a alma e tira um peso das costas, viu? Confia em mim!


Para finalizar, lembro agora das sábias palavras da maravilhosa Bené Brown em seu documentário na Netflix chamado "The Call to Courage" ou "O chamado à Coragem":


“e preciso coragem para ser imperfeito. Aceitar e abracar as nossas fraquezas e ama-las. E deixar de lado a imagem da pessoa que devia ser, para aceitar a pessoa que realmente sou.”


Nas imperfeições e fraquezas também estabelecemos amor, confiança, parceria e conexão. Agradeço a Maria pela empatia e ajuda no atravessamento de toda a situação e por me fazer mais forte! As fotos do ritual fotográfico ficaram absurdamente LINDAS na primeira etapa e na segunda etapa também, na praia. Ela ainda ganhou um vídeo-poesia realizado por mim e senti que nos conectamos profundamente com tudo isso.


Com amor,

Amanda Nakao



PS: Para quem quiser ver e conhecer mais sobre a Bené Brown, é só dar o play abaixo ou assistir na netflix!


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